O desordenado natal de Jesus

 


O Natal já dá seus sinais em nossa sociedade. São luzes, ornamentações, árvores enfeitadas, preparação para a ceia natalina, presentes etc.  Tudo isso já funciona como um ritual bem-organizado e que anualmente é seguido. Qualquer coisa que fuja disso, acaba deixando o clima natalino um tanto quanto estranho. 

Bom, a despeito de toda beleza envolvida nessas ações culturais, tudo isso pode acabar nos trazendo alguns problemas. O primeiro deles é a chance de esquecermos que o Natal não gira em torno das festas com ornamentações, presentes e comidas, mas tem como centro o nascimento do Filho de Deus. O Pai enviou o Filho para nos trazer vida. Por mais estranho que possa parecer, Cristo nasceu para morrer. Sua morte foi em favor dos pecadores, dando a estes a oportunidade de crerem e terem vida em Seu nome (João 3.16).  

Mas há um segundo problema em tudo isso. A circunstância em que Jesus veio ao mundo não teve belas ornamentações, luzes na cidade ou o cumprimento de rituais normalmente esperados. Não quero sugerir que por conta disso devamos fazer dessa época um caos generalizado. Nada disso! A beleza que envolve esse período é também um sinal do cuidado de Deus em nossas vidas. Contudo, o Natal de Jesus não foi tão organizado assim e é muito importante recordarmos disso.

Veja o que os evangelhos nos ensinam:

- Jesus nasceu de uma virgem, ou seja, sua concepção se deu de maneira extraordinária. José e Maria não esperavam tamanha dádiva, pois fugia totalmente ao que era convencional (Mateus 1.18-25);

- Quando Jesus estava prestes a nascer, José e Maria foram obrigados a se deslocarem até Belém da Judeia por conta de um recenseamento convocado pelo Imperador Augusto (Lucas 2.1-7);

- José e Maria não estavam em sua própria casa e nem na companhia de outras pessoas conhecidas para ajudá-los no momento do parto. Também não se encontravam em uma hospedaria minimamente adequada para recebê-los. Maria não tinha outro lugar para dar à luz a Jesus, senão em uma estrebaria, colocando o Filho de Deus em uma manjedoura. Na verdade, ela e José estavam invadindo o espaço destinado a animais. (Lucas 2.6-7). Que grande ironia! Aquele por meio de quem todas as coisas foram feitas não teve nem mesmo um lugar confortável para nascer;

- Mal acabara de nascer e o rei Herodes  decide matar Jesus. Para isso, cria um decreto que estabelece a morte de todo menino abaixo de dois anos de idade. José e Maria são obrigados a fugirem para o Egito e só puderam voltar após a morte de Herodes (Mateus 2.13-23).

Quanta confusão o nascimento de Jesus trouxe para a vida de José e Maria! Será que Deus não poderia ter pensado em um tempo melhor para trazer Cristo ao mundo?  Tudo parecia desorganizado e bagunçado, certo? Errado! A verdade é que essas coisas extraordinárias faziam parte dos perfeitos planos de Deus. 

As Escrituras já previam que:

- Seria uma virgem a conceber o Salvador do Universo (Isaías 7.14);

- Ele deveria nascer em Belém (Miquéias 5.2, Mateus 2.6);

- Os próprios anjos declararam que o Cristo seria encontrado envolto por faixas, deitado numa manjedoura (Lucas  2.10-12);

-  O evangelho de Mateus relaciona a saída do povo de Israel do Egito com a volta de Jesus dessa mesma região após morte de Herodes (Oseias 11.1, Mateus 2.15).

Parece uma bagunça, mas tudo estava cooperando para o maravilhoso propósito de Deus a todo o mundo.

Isso nos ensina algo muito valioso: pode ser que estejamos acostumados demais a esperar o agir de Deus no mundo e em nossas vidas por intermédio daquilo que é ordinário, socialmente compreensível, cientificamente controlado, culturalmente aceitável. Contudo, todo o contexto do Natal de Jesus nos ensina que por meios inesperados Deus escreve a sua história e nos convida a fazer parte dela.

Quem sabe Deus não esteja modificando algumas coisas de lugar e nós (focados demais no que os olhos podem ver) estejamos perdendo a oportunidade de fazer parte do movimento que Ele tem feito na história?

Lembre-se que a Bíblia é cheia de vários ensinos que não se encaixam nesse mundo:

- Só ganha a vida quem a perde (Mateus 16.25);

- Ame os seus inimigos e ore por aqueles que os perseguem (Mateus 5.44);

- Considere o outro maior que a si mesmo (Filipenses 2.3-4);

- Os últimos serão os primeiros (Mateus 20.16).

Percebe? Não se trata apenas do Natal. Uma vez em Cristo, tudo se faz novo e segue caminhos que além de maiores são melhores que os nossos.

Sendo assim, eu desejo para você um Natal bem desordenado extraordinário!

Que Jesus modifique tudo em sua vida que ainda está organizado pelo pecado. Que ele bagunce os pensamentos que te afastam do Reino de Deus e depois te encha com tudo aquilo que é mais verdadeiro, puro e amável. Que você encontre graça nos locais que jamais imaginou que poderia encontrar. E que em tudo isso, você possa se lembrar que o Deus Criador dos céus e da terra pode fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos (Efésios 3.20).

Natal é tempo de lembrar que mesmo através do caos, o Senhor continua no controle e permanece fiel cuidando dos seus filhos e filhas. Natal é tempo de lembrar que nem mesmo a tragédia da morte tem a palavra final sobre nossas vidas. Quem crê que Jesus nasceu para morrer em nosso lugar, já passou da morte para vida (João 5.24).

A exemplo do que aconteceu com José e Maria, espero que o Natal movimente bastante a sua vida, para o seu bem e principalmente para a glória de Deus!

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