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E ele [Jesus] disse a outro: Segue-me. Mas ele disse: Senhor, permite-me ir primeiro enterrar o meu pai. Jesus lhe disse: Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas vai tu e prega o reino de Deus.” – Lucas 9.59-60 (BKJ 1611)

 

No trecho das Escrituras que se encontra em Lucas 9.59-60, nos deparamos com um diálogo entre Jesus e um homem a quem o próprio Cristo chama para ser discípulo. A Bíblia nos diz que em resposta ao chamado de Cristo, o homem pede para que primeiramente ele pudesse enterrar o seu pai. Sua resposta coloca uma preocupação como empecilho para se doar de forma imediata à convocação de Cristo. Este, por sua vez, responde ao homem para que deixe que “os mortos enterrem seus próprios mortos”. As interpretações sobre o que significam essas palavras variam muito, e não será nosso objetivo nos atermos a elas nessa devocional. Mas a despeito da exatidão dessas interpretações, o texto nos apresenta alguns ensinamentos essenciais sobre a resposta ao chamado para o discipulado.

O primeiro ensinamento é quanto a onisciência daquele que nos chama. A Bíblia nos dá testemunho de que sendo Deus, Cristo tinha conhecimento sobre todas as coisas (Jo 16.30). Sendo assim, ao chamar o homem para segui-lo, Jesus já tinha em mente toda a história que fazia parte da vida desse candidato a discípulo. Quer o pai desse homem tivesse morrido recentemente ou ainda estivesse vivo, Cristo sabia que era digno por parte dos filhos honrar os pais, estando eles em vida ou no momento da morte. Ainda assim, Jesus chama o homem para segui-lo. Isso nos leva a refletir que quando Cristo nos convoca para fazer parte da sua obra, ele não faz isso por desconhecer quem somos, o que pensamos, qual a nossa rotina e quais são nossos sonhos. Ele sabe de tudo isso. Nós é que nos esquecemos que ele sabe e julgamos que precisamos resolver primeiramente as nossas demandas antes de abraçar o chamado do Senhor. É sempre importante nos lembrarmos que aquele que nos chama é o mesmo que nos conduz e faz a obra (1 Ts 5.24). Quase nunca, as demandas que julgamos essenciais em nossas vidas são de fato aquilo que mais importa que alcancemos. Se ao ouvir a voz de Deus, você ainda se julgar incapaz de atendê-lo por conta das demandas por você criadas ou trazidas pela sociedade, lembre-se que de que Cristo já sabia de tudo isso muito antes de você. Se ele nos chamou, de alguma forma, ele há de fazer a obra. Não temamos aceitar!

O segundo ensinamento é que o chamado para buscar o Reino de Deus tem prioridade sobre todos os demais chamados da vida. Cristo não está impedindo o homem de honrar ao seu pai através do gesto de enterrá-lo. Mas é importante nos lembrar que a resposta a outros chamados antes da obediência ao chamado de Cristo pode indicar a existência de ídolos em nossa vida.

No Evangelho de Marcos 12.29-30, Jesus nos ensina sobre o primeiro mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas. Embora genérica, a expressão “todas as coisas” é a mais ideal para expressar a seriedade desse mandamento. Ídolos dizem respeito não apenas a imagens esculpidas, mas a tudo aquilo que colocamos no lugar de Deus, depositando nesse “falso deus” esperança de salvação. Acontece que não há salvação fora de Deus (Jn 2.9, At 4.12), portanto, embora os ídolos prometam muito, eles são incapazes de cumprir.

Voltando para o diálogo entre Jesus e o homem, quando este se recusa a obedecer prontamente à voz do Senhor, ele demonstra (ainda que inconscientemente) que tem outro ídolo em seu coração, que o Reino de Deus não é prioridade em sua vida. A Bíblia nos convida a buscarmos primeiro o Reino de Deus e a sua justiça tendo como promessa que todas as demais coisas nos serão acrescentadas (Mt 6.33). Como um bom Pai, Deus cuida de nós. Não precisamos colocar nossa esperança de redenção em outros meios.

Diante desses dois ensinamentos, proponho uma reflexão: há alguma lei humana, algum costume social ou tradição religiosa que o esteja impedindo de abraçar prontamente ao chamado de Deus? Se esse é o caso, o meu convite é que você ore a Deus, lance sobre ele todas as suas preocupações, pois ele tem cuidado dos seus filhos (1 Pe 5.7).

Se Deus nos chamou, não temamos obedecê-lo. Ainda que a resposta a esse chamado possa nos tirar de uma zona de conforto, tudo servirá para o nosso bem e para a Glória do nosso Senhor.

Que Deus te abençoe!

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